sexta-feira, 22 de março de 2013

Vai Que Dá Certo(2012)




Cinco amigos de adolescência compartilham a frustração de não terem alcançado o sucesso que projetaram para suas vidas. A possibilidade de recuperar o tempo perdido surge através de uma tentadora e arriscada proposta: o assalto a uma transportadora de valores. O crime (quase) perfeito que prometia transformar suas trajetórias cumpre o seu propósito, mas não exatamente do jeito que eles esperavam.



APRESENTAÇÃO

O diretor Mauricio Farias (o mesmo de ‘O Coronel e o Lobisomem’, ‘Verônica’, ‘A Grande Família – o Filme’, e a série ‘Tapas e Beijos, da TV Globo) sempre quis levar para a tela grande uma comédia que girasse em torno das aventuras (e desventuras) de um grupo de amigos e fosse  ambientada na periferia de uma grande cidade brasileira. Foi desta ideia que nasceu ‘Vai que dá certo’, que reúne nos papeis principais alguns dos nomes mais representativos da nova geração de atores e humoristas do país: Fabio Porchat, Danton Mello, Bruno Mazzeo, Gregório Duvivier, Lúcio Mauro Filho, Felipe Abib e Natália Lage.

Produzido por Silvia Fraiha (Fraiha Produções), coproduzido pela Globo Filmes e distribuído pela Imagem Filmes, o quarto longa-metragem da carreira de Maurício Farias estreia nos cinemas no dia 22 de março de 2013, em --- salas. O filme recebeu investimento do Fundo Setorial do Audiovisual, do Prêmio Adicional de Renda, da Lei Mendonça, através do Sistema Anglo de Ensino, e do Edital de Paulínia. O filme conta ainda com as participações especiais de Lúcio Mauro (pai), Camilla Amado, Georgiana Góes, Felipe Rocha, Ravel Cabral, Sergio Guizé, Luiz Ramalho e Roney Facchini.

Rodado em cinco semanas, nas cidades de Paulínia e Campinas, o longa narra o reencontro de cinco amigos de colégio que compartilham a frustração de não terem alcançado o sucesso que projetaram para suas vidas. A possibilidade de recuperar o tempo perdido surge através de uma tentadora e arriscada proposta: o assalto a uma transportadora de valores. O crime que prometia transformar suas trajetórias cumpre o seu propósito, mas não exatamente como planejaram.

“O que eu acho interessante nessa história é discutir até que ponto as pessoas são éticas. Até que ponto elas fazem a coisa certa? Em que ponto elas deixam de fazer a coisa certa? E que coisas erradas elas são capazes de fazer para salvar a própria pele?”, questiona o diretor. “Tem uma crítica também à realidade do Brasil, da impunidade, do ladrão que rouba ladrão. É uma comédia muito divertida que tem um pano de fundo que pode fazer as pessoas saírem do cinema rindo, se divertindo, mas, ao mesmo tempo, refletindo sobre o Brasil e a realidade que a gente vive”, completa Silvia Fraiha. 

O fio condutor que deu ignição ao projeto foi uma história que Maurício ouviu em meados dos anos 90.

“Eu soube que o motorista de um conhecido havia sido preso por ter cometido um assalto. Era uma pessoa aparentemente honesta e querida do patrão. E eu fiquei pensando ‘que tipo de situação leva uma pessoa a cometer um crime, colocando em risco a própria vida ou liberdade?”, lembra o diretor. “Poucos anos depois, eu escrevi o primeiro tratamento do roteiro, em parceria com o Alexandre Morcillo, que havia sido meu aluno num curso na Cinédia”.

A primeira versão, no entanto, foi parar na gaveta, onde permaneceu por cerca de dez anos, até que nas filmagens de ‘Verônica’ Farias contou a história – originalmente intitulada ‘Apolo - os reis da malandragem’ – para a produtora Silvia Fraiha, que abraçou a ideia imediatamente.

“A Silvia levantou o projeto e um ano e pouco depois estávamos prontos para produzir. A história inicialmente se passava no Rio de Janeiro, mas chegamos juntos à conclusão de que seria necessário mudar de cenário, porque o subúrbio do Rio já havia sido muito retratado no cinema naqueles dez anos”, explica Farias. “Foi quando eu chamei o Bernardo Guilherme e o Marcelo Gonçalves (redatores finais da Grande Família), meus parceiros na televisão, para trabalharem comigo na adaptação do roteiro. Escrevemos juntos durante um ano, mas eles ficaram sobrecarregados com o trabalho na televisão e não puderam seguir em frente”.

Faltavam somente três meses para o início da filmagem, o roteiro ainda estava inacabado e o diretor precisava encontrar alguém com urgência para terminar de escrevê-lo. A dica providencial veio do ator Bruno Mazzeo, que já fazia parte do elenco do filme àquela altura.

“O Bruno sugeriu que eu convidasse o Fabio Porchat. Foi uma ótima ideia. Uma boa parte do roteiro já estava bem adiantada mas ainda faltava acertar algumas coisas no início e outras no terço final da história. Eu e Fabio trabalhamos em tempo recorde. A parceria com ele foi espetacular”, recorda Farias.

Quando entrou no projeto, o elenco estava praticamente definido e Fabio já sabia quem interpretaria a maioria dos personagens. Com isto em mente, escreveu os diálogos já pensando no jeito de cada um deles de atuar.

“Quando você já tem o elenco definido, isso ajuda bastante. Escrevi os personagens com a cara de cada ator”, conta Porchat. “Eu gosto desse tipo de comédia e acho que consegui colocar um meu jeito meio particular de humor no roteiro”.

Um dos grandes desafios de Maurício Farias era encontrar um grupo de bons atores, jovens e engraçados, que tivessem um bom entrosamento e imprimissem o ritmo cômico e de ação que as cenas exigiam.

“Fazer comédia tem as suas especificidades e trabalhar com muitos atores em cena exige muita atenção com o ritmo, com os pontos principais da cena, onde estão as piadas, e como você destaca isto para que elas fiquem claras e funcionem”, analisa.

“O elenco é um dos grandes acertos do filme. São todos comediantes de primeira. Jovens com muita experiência, com talento para ir da comédia ao drama. Acho que o Felipe Abib era o único com quem eu não havia trabalhado antes. Todos arrasam no filme”, elogia Maurício.

O diretor tinha como premissa fazer um filme acessível que, ao mesmo tempo, apresentasse algo de novo e transitasse por vários gêneros, provocando diversas sensações no público.

Vai que dá certo mistura comédia, ação e filme de geração. Não é um filme violento, mas coloca as personagens em situações de perigo real, que provocam certa tensão nos espectadores. Meu desejo era fazer com que todos esses movimentos, sejam de tensão ou de reflexão, sempre levassem à comédia. Essa foi a nossa preocupação no roteiro e, claro, essa foi a minha preocupação na hora de dirigir”, explica Maurício.    

BIOGRAFIA DE MAURICIO FARIAS

Seu primeiro trabalho no cinema foi como ator no longa-metragem As aventuras de tio Maneco (1970), de Flávio Migliaccio, produzido por seu pai, Roberto Farias. Com uma longa carreira na Rede Globo, começou como assistente de direção e logo passou dirigir. Como diretor, tem em seu currículo dezenas de novelas, minisséries e seriados, entre eles os seriados A Grande Família, que dirigiu por dez anos, e a atual série de maior audiência da televisão brasileira, Tapas e Beijos. No cinema transitou por várias funções, foi ator, produtor, técnico de som, montador e editor de som. Como diretor, estreou com o curta-metragem A espera (1986), codirigido com Luiz Fernando Carvalho, e premiado como melhor curta no Festival de Gramado e no Festival de San Sebastian, na Espanha. Seu primeiro longa-metragem foi O coronel e o Lobisomem (2005), seguido de um dos grandes sucessos de público de 2007, A grande família – o filme, baseado no seriado homônimo e que alcançou mais de dois milhões de espectadores. Verônica (2009), seu terceiro longa-metragem, obteve o premio da Juventude de Melhor Filme na 32ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo e obteve a maior audiência do Cinema Brasileiro na televisão no ano de 2010, quando foi visto por mais de 35 milhões de telespectadores.

Entrevista de Maurício Farias na íntegra:

A ideia de fazer o filme

“Esse projeto surgiu de uma história que me contaram em 1994. Eu soube que um motorista de uma pessoa conhecida tinha sido preso porque havia feito um assalto. Era uma pessoa querida do patrão, honesta, mas que por uma dificuldade decidiu cometer um assalto. Aquilo me impressionou bastante. Fiquei pensando por que motivos uma pessoa faria uma coisa dessas. Que tipo de situação leva uma pessoa a cometer um crime, colocando em risco a própria vida ou liberdade?”.

O processo do roteiro

“Alguns anos depois, eu escrevi um roteiro em parceria com o Alexandre Morcillo, que havia sido meu aluno num curso na Cinédia. Os textos dele eram ótimos e escrevemos juntos o roteiro, que inicialmente se passava na periferia do Rio de Janeiro.  Eram cinco amigos que estavam sem grana e resolviam cometer um assalto a um carro forte. Era um assalto combinado, ou seja, era tudo uma marmelada, porque as pessoas que eles iriam roubar estavam dentro da jogada. O projeto acabou não saindo naquela época porque outros filmes vieram, mas quando estávamos filmando Verônica, a Silvia Fraiha, produtora daquele filme, se interessou pela ideia. Ela leu o roteiro, gostou e topou produzir. A Silvia levantou o projeto e um ano e pouco depois estávamos quase prontos para produzir. E começamos a discutir se o roteiro ainda era atual. Chegamos à conclusão de que seria necessário mudar o cenário da história, porque o subúrbio do Rio já havia sido muito retratado naqueles dez anos, desde a primeira versão do roteiro. Foi quando chamei o Bernardo Guilherme e o Marcelo Gonçalves, meus parceiros na televisão, que fizeram comigo a Grande Família, para trabalharem na adaptação do roteiro. Trabalhamos durante um ano no roteiro. Enquanto isso, Silvia terminou de levantar o filme. Precisávamos do roteiro pronto, mas o Marcelo e o Bernardo ficaram sobrecarregados com o trabalho na televisão e não puderam seguir em frente conosco. Ao mesmo tempo, eu já tinha trabalhado na televisão com o Fabio Porchat, o Bruno Mazzeo e o Gregorio Duvivier, no programa Junto & Misturado, e já tinha lido alguns textos deles, que eram muito bons. O Bruno sugeriu que eu chamasse o Fabio para terminar de escrever o roteiro comigo. Foi uma ótima ideia. Uma boa parte do roteiro já estava bem adiantada mas ainda faltava acertar algumas coisas no início e outras no terço final da história. Àquela altura, tínhamos poucos meses. Mas eu e Fabio trabalhamos em tempo recorde. A parceria com ele foi espetacular. O roteiro é o resultado do trabalho dessa turma toda. Alexandre, Bernardo, Marcelo, Fábio e eu. Fabio ainda escreveu os diálogos. Foi assim que saímos do papel para o primeiro dia de filmagem”.

A mensagem

“O que eu acho interessante nessa história é discutir até que ponto as pessoas são éticas. Até que ponto elas fazem a coisa certa? Em que ponto elas deixam de fazer a coisa certa? E que coisas erradas elas são capazes de fazer para salvar a própria pele?” Os personagens vão inventando milhões de desculpas para fazer cada vez mais coisas erradas e, assim, não param de se complicar. Para piorar, a sorte conspira o tempo inteiro contra eles. No fim da história, eles estão tão confusos que não sabem mais se estão certos ou errados”.  

O trabalho com o elenco

“O elenco é um dos grandes acertos do filme. São todos comediantes de primeira. Jovens com muita experiência, com talento para ir da comédia ao drama. Eles compõem as personagens de maneira muito verdadeira. São atores inteligentes e divertidos. É uma alegria filmar com um elenco assim. Já tinha trabalhado com a maioria deles. Acho que o único com quem eu não havia trabalhado era o Felipe Abib. Todos arrasam no filme.”

O processo de escolha do elenco

 “Tem algumas histórias engraçadas na escalação dos atores. Originalmente, eu tinha imaginado um elenco um pouco mais velho. Foi na nova versão do roteiro, que baixamos a faixa etária das personagens. Mas antes de terminarmos o roteiro foi preciso convidar o elenco. Lucio foi o primeiro convidado. Depois, Bruno e Gregório. Eu tinha acabado de fazer um programa de televisão com os dois. Natalia, Danton e Felipe vieram logo depois. E por último o Fábio que entrou no lugar de um ator que não pode fazer o filme. Mas há 10 dias do começo das filmagens, Bruno, Danton e eu decidimos mudar os personagens dos dois. Bruno virou Paulo, personagem que seria do Danton, e Danton virou Rodrigo, personagem que seria do Bruno”.

A equipe

“Eu acredito muito no trabalho em equipe. Tenho certeza que um diretor só consegue um resultado espetacular quando está com uma equipe espetacular. No filme eu tive a sorte de trabalhar com profissionais muito talentosos, com quem tenho grandes afinidades. A direção de arte é de uma parceira de longa data, a Luciana Nicolino, que também fez a direção de arte em ‘Verônica’.  Lu é uma diretora extremamente competente, com uma visão precisa do todo e do detalhe, nada escapa dos seus olhos. A cenografia é da Jussara Perussolo. Ela construiu cenários maravilhosos. O Antônio Medeiros, que também trabalha comigo na televisão – Aline e Tapas e Beijos – assina o figurino. Suas roupas  tem muita personalidade e sutileza. Suas montagens ajudam muito os atores nas composições. Assim como a espetacular caracterização e maquiagem, feitas pela Simone Batata, que também trabalhou comigo muitas vezes na televisão. A produtora de elenco, Andréa Imperatore, mais uma parceira da televisão, foi fundamental na composição do elenco principal e na formação do elenco de apoio. A direção de fotografia é do experiente e talentoso Uli Burtin. Esse é o nosso primeiro trabalho juntos. Uli foi um parceiro incansável durante as filmagens e sua fotografia retrata com precisão, verdade e beleza todos os atores e cenários do filme. O editor Fabio Vilela, que trabalha comigo há muito tempo – fez Verônica, A Grande Família – é também um grande parceiro. Com sua edição ágil, cheia de personalidade, Fabio contribuiu decisivamente no resultado final da montagem. E Branco Mello que assina com Emerson Villani a direção musical do filme. Os dois foram meus parceiros em muitos outros projetos e são músicos sensacionais. A trilha do filme é incrível”.

Dirigir um filme de comédia

“Fazer comédia tem as suas especificidades. Você precisa ter muita atenção ao ritmo, aos pontos principais da cena, onde estão as piadas, e como você faz para destacá-las, para que fiquem claras, para que funcionem. Quando você tem vários atores em cena, é preciso muita atenção. O publico precisa entender bem a situação, ver os movimentos de cada uma das personagens, e isso tem que acontecer de maneira que pareça muito natural. “Vai que dá certo” mistura comédia, ação, filme de geração. Não é um filme violento, mas coloca as personagens em situações de perigo real, que provocam certa tensão nos espectadores. Meu desejo era fazer com que todos esses movimentos, sejam de tensão ou de reflexão, sempre levassem à comédia. Essa foi a nossa preocupação no roteiro e, claro, essa foi a minha preocupação na hora de dirigir. Além disso, procurei captar da melhor forma aquilo que o elenco e a equipe colocaram à minha disposição: as nuances nas interpretações, os detalhes do cenário, do figurino, da maquiagem, enfim, cada coisa que a equipe apresenta. Recriar uma realidade permite infinitas possibilidades. Quanto mais capaz for a equipe, maior o número de camadas que ela proporciona para um diretor”.

Cenas marcantes

“Uma das cenas mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais emblemáticas do filme é a cena do sequestro do Danilo. É uma cena de ação e, ao mesmo tempo, de comédia. Que mistura dois tipos de comédia: a física e a falada. É uma cena caótica onde todos falam ao mesmo tempo – tinha que ser assim para que ela soasse verdadeira. O diálogo tinha que ser sujo e ao mesmo tempo as piadas tinham que se destacar dentro daquele caos.  Demoramos um dia e meio para fazer. E depois, alguns dias para editar e muitos outros para editar o som. Essa cena é um pouco o resumo do filme. Você vê e entende tudo. Você entende o que as personagens pretendem fazer, como elas fazem aquilo e as dificuldades que elas irão encontrar pelo caminho. É o ponto de virada definitivo do filme. Dali em diante aqueles amigos não terão mais como voltar atrás. Foi uma cena difícil e ao mesmo tempo muito divertida de fazer”.

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